Caminhoneiros bloqueiam estradas em greve contra aumento do diesel



Caminhoneiros autônomos, que não estão ligados a transportadoras, entraram em greve nesta segunda-feira (21) contra os aumentos seguidos nos preços do diesel. A categoria já havia prometido a paralisação na semana passada se não fossem atendidas uma série de reivindicações apresentadas ao governo federal.


A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), entidade que convocou a greve, ainda não tem um balanço nacional, mas já existe confirmação de paralisação em ao menos sete estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Em São Paulo, na zona leste da capital, a avenida Jacu-Pêssego, no sentido Ayrton Senna, próximo à Rua Jaime Ribeiro Wrigth, estava com duas faixas interditadas por volta das 8h, de acordo com informações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Na Marginal Pinheiros, zona sul, no sentido Castelo Branco, pouco depois da Ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada), a manifestação ocupava quatro faixas no mesmo horário.

No início da manhã, também havia paralisação no porto de Santos. A administração do porto informou que caminhoneiros estão protestando no acesso ao porto pela cidade de Guarujá, gerando lentidão no trânsito. O protesto também acontece no acesso pela cidade de Santos, mas não existe interdição e o fluxo de veículos está normal.

Em Minas Gerais, caminhoneiros bloquearam a rodovia BR-262, em Juatuba, na região metropolitana de Belo Horizonte. Durante a madrugada, chegaram e interditar a via incendiando pneus.

No Paraná, a Polícia Rodoviária Federal informou que trechos da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), na região de Quatro Barras, e da BR-227, em Paranaguá, foram interditadas devido a manifestações de caminhoneiros. No fim de semana, a Justiça Federal no Paraná proibiu que caminhoneiros bloqueiem qualquer rodovia federal que cruze o estado, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora em caso de descumprimento da medida.

Associação diz ser contra bloqueios

José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam, diz que a proposta da paralisação é que os caminhoneiros não saiam de casa para trabalhar ou que fiquem estacionados em postos de combustíveis. Em um comunicado à categoria, ele afirma que a entidade não apoia interdições ou bloqueios de rodovias. " Não precisamos fechar estradas, colocar fogo em pneus ou até mesmo pôr em risco o patrimônio de terceiros", diz. A Abcam reúne cerca de 700 mil caminhoneiros autônomos.

Lopes afirma que a paralisação só vai terminar quando o governo entrar em contato com os caminhoneiros para negociar a redução nos preços do combustível, por meio do corte de impostos. Eles reivindicam a redução a zero da alíquota de PIS/Pasep e Cofins e a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Os impostos representam quase a metade do valor do diesel na refinaria. Segundo os caminhoneiros, a carga tributária menor daria fôlego ao setor, já que o diesel representa 42% do custo da atividade.

Aumentos de preços pela Petrobras

Os aumentos são resultado da nova política de preços da Petrobras, que repassa para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo. Nos últimos meses, o petróleo tem apresentado forte alta.

Por conta dos reajustes diários, os caminhoneiros autônomos dizem estar no limite. Desde 3 de julho do ano passado, quando o novo método de reajustes foi adotado, o preço do diesel comercializado nas refinarias subiu 57,78%.

A inflação oficial no Brasil acumulada entre julho de 2017 e abril de 2018 (último dado disponível) é de 2,68%.

A reivindicação dos caminhoneiros é apoiada pelos donos de postos de combustíveis, que dizem estar perdendo margens com os aumentos de preços. Segundo o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares, o setor vai sugerir ao governo a redução dos impostos sobre os combustíveis e também que a Petrobras faça o reajuste em intervalos maiores.


Fonte: Folha de S. Paulo via Portal de Notícias UOL



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